Estranhando o Real – Realizando o Estranho

(English below)

A realidade é um lugar estranho. Eventos que pareceriam impossíveis ocorrem incessantemente: Brexit, Estado Islâmico, Donald Trump, imigração em massa, Michel Temer, Exército nas ruas do Espírito Santo, Inteligência Artificial, algoritmos bolha das mídias sociais, Vladimir Putin, Aquecimento Global, O Antropoceno, fotografias que parecem renders…

Diante de tais fatos, a Arquitetura parece apenas remediar o mal-estar do capitalismo neoliberal. A mais recente Bienal de Arquitetura de Veneza, curada pelo chileno Alejandro Aravena, mapeou o que segundo o arquiteto seria a prática no fronte: Um conjunto de obras que parece apontar para um retorno aos fazeres tradicionais. Ao mesmo tempo, o discurso do urbanismo mais engajado roga por “cidades para as pessoas” que espelham nostalgicamente a cidade européia com suas piazzas e ciclovias. Parece que estamos incapacitados de imaginar alternativas radicais para nossa sociedade.

Se, como coloca o arquiteto e teórico David Ruy, a Arquitetura é por excelência o campo que produz a imagem da realidade hoje e no futuro, projetos especulativos podem produzir novas maneiras de convivermos ou apontar quais são as implicações de nossas escolhas enquanto sociedade. Projetos com o Fun Palace, de Cedric Price, Plug-in City, de Archigram, Continuous Monument, do Superstudio, No Stop City, de Archizoom, foram instrumentais para imaginar e consequentemente construir nosso habitat.

A exposição foca em projetos de Arquitetura que não sejam a representação de edifícios a serem construídos. Em uma conversa com Peter Eisenman, o perguntamos: O que diferencia Arquitetura de construção? Surpreendetemente, o arquiteto norte-americano respondeu que arquitetura não resolve problemas, apenas os cria. Sua provocadora senteça deixa claro que, para o autor, a arquitetura não é a resolução de problemas sociais por meio de edifícios, mas sim a exploração de questões formais que tenham impacto social e cultural.

A intenção curatorial é explorar como os arquitetos produzem ideias de maneiras radicais de existência através de suas ações por excelência: Desenhar, fazer modelos, falar e escrever. Em momentos de crise, onde parece não haver alternativas e nada realmente muda, produzir a imagem de maneiras de re-existir é um ato radical.

 

 

The reality is a strange place. Events that seemed impossible to happen succeed unceasingly: Brexit, Islamic State, Donald Trump, mass immigration, Michel Temer, the Army at Espírito Santo’s streets, Artificial Intelligence, bubble algorithms in social media, Vladimir Putin, Global Warming, the Anthropocene, pictures that looks like renderings…

In face of these facts, Architecture seems only to remediate the malaise of neoliberal capitalism. The most recent Venice Architecture Biennial, curated by Alejandro Araven, mapped what according to the architect is the practice in the front: A collection of work that seems to point to traditional ways of designing. At the same time, the most engaged urbanist discourse is “the city for people”, spreading around the world nostalgically the European city with its piazzas and cycle lanes. It looks like we are unable to imagine radical alternatives for our society.

If, as the architect and theorist David Ruy argues, Architecture is by excellence the field that produces the image of reality today and in the future, speculative projects are able to produce new ways of living and to project in the future the implications of our choices of today. Projects like the Fun Palace, by Cedric Price, Plug-in City, by Archigram, Continuous Monument, by Superstudio, No Stop City, by Archizoom, were instrumental to imagine and consequently to build our own habitat.

The exhibition focuses in architectural project that are not representations of buildings to be built. In a conversation with Peter Eisenman, we asked him: What is the difference between Architecture and building? Surprisingly, the North-American architect answered that Architecture do not solve problems, it only creates them. His provocative statement makes it clear that, for him, Architecture is not the resolution of problem through buildings, but the exploration of formal issues with social and cultural relevance.

The curatorial goal is to explore how architects and artists are able to produce ideas about radical ways of being through their own media: drawings, models and words. In moments of crisis, when it seems there’s no alternatives and nothing really changes, to produce the image of new forms of re-existence is a radical act.

 

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Painel 1

Exposição de Arquitetura de 12 de Agosto a 10 de Setembro de 2017 na Casa da Xiclet Galeria

https://casadaxiclet.com/

Painel 2

Qui. a Sex., 14h/20h. Sab. e Dom., 14h/18h

www.casadaxiclet.com

Rua Fradique Coutinho, 1855 – Vila Madalena
São Paulo-SP, CEP 05416-012, Brasil
Perto do Metrô Vila Madalena.

Painel 3

Catálogo / Catalogue

O catálogo está disponível internacionalmente nos seguintes links: CreateSpaceAmazon

The catalogue is available worldwide in the following links: CreateSpace and Amazon

Painel 4

Arquitetos e Artistas Selecionados / Selected Architects and Artists

Algo+ritmo (Campo Grande – BRA)

Alexandre Arthur Silveira (Campinas – BRA)

Ana de Sena (Vila Velha – BRA)

A Parede (BRA)

Elisa Vianna (Rio de Janeiro – BRA)

Fabrício Carvalho (Juiz de Fora – BRA)

Huey Hoong Chan + Shing Yi Lee (MAL/MAL)

Issac Michan (MEX)

Jéssica Passos + Glory Curtis (Belo Horizonte – BRA + EUA)

Jonathan Sutanto (INA)

Jorge Ruiz (PAN)

Kaushambi Mate (IND)

Leandro Pereira da Costa (Recife – BRA)

Prashant Chavan (IND)

Priscila Rocha (Rio de Janeiro – BRA)

Renato Tonet (São Paulo – BRA)

SUBdV – Anne Save de Beaurecueil e Franklin Lee (EUA/BRA)

Victor Sardenberg (BRA)

Painel 5

Contato / Contact

exposicaoerre@gmail.com